Os israelenses elegeram na terça-feira (27) uma assembleia legislativa sem maioria clara para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou seu principal rival, Gadi Eisenkot. As eleições, marcadas por uma participação recorde de eleitores árabes, resultaram em um cenário de empate entre os dois principais candidatos. Netanyahu, líder do partido Likud, manteve a liderança com 72,4% dos votos contados, segundo dados preliminares, mas não conseguiu a maioria absoluta necessária para formar um governo sozinho. Eisenkot, candidato da oposição, também não alcançou a maioria, deixando a formação do novo governo em aberto.

A participação dos eleitores árabes, que representam uma minoria significativa da população israelense, foi um dos resultados mais surpreendentes. Dois partidos árabes obtiveram resultados excepcionalmente fortes, com seus eleitores comparecendo às urnas em números recordes. Essa mobilização pode ser decisiva para a formação do governo, já que os partidos árabes possuem o número de deputados necessário para influenciar a composição do Executivo.

As eleições ocorreram após ataques terroristas do Hamas em outubro de 2023, que resultaram na morte de cerca de 1.200 pessoas em Gaza. A votação foi a primeira desde então e refletiu uma polarização política acentuada. Netanyahu, que lidera o partido mais votado, busca um governo de direita sem a participação de partidos árabes, enquanto Eisenkot, líder da oposição, tenta formar uma coalizão mais ampla. A falta de maioria clara e a influência crescente dos eleitores árabes tornam o cenário político israelense incerto e complexo.