O Partido Socialista (PS) acusou o secretário-geral do partido, Luís Montenegro, de usar as forças de segurança para proteger o Governo e o primeiro-ministro António Costa. A acusação surge após manifestações em Lisboa e Porto, onde a Polícia de Segurança Pública (PSP) interveio para reprimir protestos pelo direito à habitação. O PS pediu a abertura de uma comissão de inquérito (CPI) para investigar a atuação da PSP e incluiu Montenegro, Costa e outros políticos na lista de investigados.

O PS quer chamar a depor Montenegro, Costa, Lucília Gago e Amadeu Guerra na CPI sobre o caso do ministro da Administração Interna, Luís Neves, que lidera a Polícia Judiciária. O partido alega que o Governo está a instrumentalizar as forças de segurança para se proteger. O Governo, por sua vez, defende que a PSP agiu para restabelecer a ordem pública.

O PSD, por outro lado, defendeu a proporcionalidade da resposta policial e acusou o PS de hipocrisia. O porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, destacou alegados arremessos de objetos pelos manifestantes e afirmou que Montenegro “não ficou nem cego, nem surdo, nem mudo”.

A situação surge num contexto de tensão crescente entre o Governo e oposição, com manifestações frequentes sobre temas como habitação e desigualdade. A CPI sobre Luís Neves, que investiga possíveis irregularidades na atuação da Polícia Judiciária, tornou-se um ponto de conflito entre partidos. A pressão pela transparência e responsabilização aumenta com o envolvimento de figuras de alto nível.