A polícia dispersou, na madrugada de domingo, os protestos pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, usando bastões e cães. A operação, que durou várias horas, provocou pelo menos 33 feridos e 31 detidos. Os manifestantes, que acampavam em áreas públicas, foram forçados a abandonar as suas tendas e acampamentos.

A PSP justificou a intervenção como necessária para restabelecer a ordem pública, mas o Partido Socialista questiona a proporcionalidade do uso da força. O Governo defende que a ação foi legal e necessária, enquanto o bastonário da Ordem dos Advogados pede um inquérito para investigar a atuação das forças de segurança.

A operação levantou novas tensões políticas, com críticas ao ministro da Administração Interna, que foi acusado de não saber o que diz. A polícia foi acusada de usar força excessiva, especialmente contra jovens que tentavam votar perto da Faculdade de Direito.

Os protestos, que envolveram centenas de pessoas, surgiram após semanas de tensão sobre a habitação em Portugal. As acampadas, muitas delas com pessoas em situação de vulnerabilidade, foram uma resposta a políticas habitacionais consideradas insuficientes. A intervenção da PSP, que se deu em pleno horário eleitoral, gerou debates sobre o direito à manifestação e o uso da força policial.

A situação reacendeu debates sobre a Constituição e a lei de 1974, que regula a manifestação. Os manifestantes alegam que têm direito a protestar, enquanto a PSP defende que a ordem pública deve ser respeitada. A tensão persiste, com o risco de novas confrontações.