O ministro da Administração Interna, Luís Neves, determinou a demissão do secretário-geral da Secretaria-Geral da Administração Interna, Ricardo Carrilho, após uma série de divergências institucionais. A decisão foi anunciada na segunda-feira, em meio a tensões sobre o controle da rede SIRESP, uma empresa pública responsável por comunicações de emergência. Documentos obtidos pela CNN Portugal revelam que a extinção da SIRESP já era defendida em um estudo técnico de março de 2024. Em julho deste ano, Carrilho apresentou a Luís Neves uma proposta de reorganização que incluía a eliminação da empresa e a redução de custos.

A demissão de Carrilho gerou reações políticas. O líder do Chega, André Ventura, afirmou que as denúncias do ex-secretário-geral reforçam um "padrão de irregularidades" envolvendo Luís Neves. O Partido IL pediu uma auditoria da gestão financeira da SIRESP. Já os socialistas solicitaram uma audição urgente do ministro e de Carrilho no Parlamento para esclarecer os motivos da demissão e as divergências sobre a rede.

A relação entre Luís Neves e Carrilho havia se deteriorado, atingindo um ponto crítico. A disputa envolveu não apenas o controle da SIRESP, mas também a capacidade do Estado de gerir eficientemente a rede de comunicações de emergência. A situação levantou dúvidas sobre a gestão da empresa pública e a transparência nas decisões políticas. A polêmica pode resultar em uma investigação parlamentar sobre os mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária.