O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, rejeitou a ideia de formar um bloco central com o Partido Democrata-Progressista (PSD), afirmando que é "importante para a democracia" que haja uma "alternativa clara" entre os dois principais partidos democráticos portugueses. A declaração foi feita durante uma conferência em Cascais, distrito de Lisboa, à margem das Conferências do Estoril.

Carneiro destacou que a manutenção de uma divisão clara entre o PS e o PSD é essencial para garantir a estabilidade política e a legitimidade do sistema democrático. Ele argumentou que a criação de um bloco central não seria desejável, uma vez que poderia minar a identidade e a autonomia dos dois partidos.

A posição de Carneiro contrasta com a de António Barreto, líder do PSD, que defendeu a formação de um bloco central para travar o crescimento do partido de extrema-direita Chega. Barreto acreditava que uma aliança entre os dois partidos poderia fortalecer a oposição ao movimento de direita.

No entanto, Carneiro reforçou que o PS não está disposto a negociar uma aproximação com o PSD, a menos que isso venha a ser necessário para enfrentar desafios políticos específicos. Ele destacou que o PS deve manter sua própria linha de ação e que a alternativa clara entre os dois partidos é fundamental para o funcionamento da democracia portuguesa.

A divisão interna no PS tem sido tema de discussão recente, com alguns membros do partido expressando preocupação com a crescente influência da extrema-direita e a necessidade de uma resposta unificada. Apesar disso, Carneiro insistiu que o partido deve continuar a ser uma alternativa sólida e distinta no cenário político português.