A Polícia de Segurança Pública (PSP) interveio durante a madrugada de quinta-feira no centro do Porto, onde um protesto pelo direito à habitação estava em curso. A intervenção levou a confrontos entre manifestantes e policiais, resultando em dezenas de feridos, segundo o movimento Acampada do Porto pela Habitação. O movimento denuncia 37 feridos, dois dos quais em estado grave, enquanto a PSP afirma não ter registos de vítimas.

O advogado Tiago Machado, que representa os manifestantes, afirma que a polícia "disse que podiam ficar lá" e que ninguém falou em retirar as tendas. Ele garante que não sabe qual foi a origem dos momentos de violência. A PSP, por seu lado, justifica a intervenção como "proporcional", segundo o diretor da força, que defende que as ordens legais devem ser cumpridas para reaver a ordem.

O movimento "Manifestantes pela Habitação" tem sido uma das principais vozes na luta contra o aumento dos preços imobiliários e a falta de moradia em Portugal. A situação no Porto tem gerado tensão desde o início do mês, com manifestações diárias na Praça D. João I. A PSP tem sido criticada por alguns grupos políticos e ativistas por sua postura durante as manifestações, enquanto outros a defendem por respeitar a lei.

A situação reflete um conflito crescente entre direitos sociais e ordem pública, com manifestantes exigindo soluções para o problema da habitação, e a polícia tentando manter a legalidade e a segurança. As autoridades estão sob pressão para explicar a atuação policial e para encontrar um equilíbrio entre proteção da população e respeito aos direitos de protesto.